Botas Salto Agulha
domingo
Gênesis Gramatical
Luto da Paixão
No início o nada, nem frio nem morno,
Apenas a curiosidade e a carência regem as primeiras sensações.
Não é percebido o erro dito ou não dito, o feito ou desfeito,
O momento dita as regras.
Entrega ansiosa, o tempo pára,
E um instante se torna eterno.
O início do fim chega trazendo de volta a sanidade,
A consciência vem de encontro ao término.
Dúvida, insegurança, temor do desempenhado,
Temor do desmedido ocorrido.
Há quase que a certeza do último encontro porque nunca mais será como tal,
Talvez nem mesmo haja outro.
O pensar em repetir aquela ação vai tomando conta da mente,
A vontade de estar junto novamente dar-se-ia e passaria.
Caso isso aconteça, em poucas horas não haverá nada para ser declarado.
Por alguns dias o êxtase poderia tentar preencher o silêncio.
Porém, aos poucos o devaneio se entregaria à raiva e a solidão.
A semente plantada seria arrancada, deixaria a terra mexida,
Batida, abatida...
A luz acesa representa um sono não dormido,
A esperança de passar a noite entre abraços e beijos.
A espera se cansa e dor da lembrança estremece o peito enfraquecido.
Moribundo sentimento que não tem pra onde ir.
Não se transfere e nem se move. Guardado, trancado a sete chaves ele finge não existir
Corre como veneno corroendo as veias, chora e pede socorro,
Mas infelizmente este é um grito ninguém pode ouvir.
Esquecido, adormecido, entorpecido...
O amor vai se autodestruindo.
Apagam-se os registros, sucumbido à ingênua ternura.
Não se fala sobre o assunto,
É proibido alimentar as criaturas, para que não se tornem monstros perigosos.
Anjos e demônios são desarmados,
Sonhos e desejo são ridicularizados.
Não se regam as flores,
Pétalas secas estão à espera do dia em que serão queimadas.
O vento levou pra longe o que não tem raiz.
O rio levou consigo águas que jamais voltarão ao mesmo lugar,
E já terão sido modificadas se um dia ele voltar.
O retrato, que distorcia a realidade, já não é mais dono de cores vivas.
Quando a falta é percebida como negligência a saudade sente-se rejeitada!
Doloroso é do luto da paixão...
Um corpo morto ainda habita um vivo coração.
Que este fantasma não mais atormente o equilíbrio conseguido a duras penas.
Não faz mais sentindo reviver o passado,
Este se faz longínquo não pelo tempo, mas pela distância.
A frieza foi a alternativa covarde escolhida.
Embriagou-se de fracasso o que vi de belo nos teus olhos.
Não há resgate a ser feito.
Não vou tomar para mim o papel de vítima.
O novo pede passagem,
O velho me desencantou quase que por completo.
Vou transformar em arte a pouca parte que ainda me resta de mim...
Crica Fonseca
sexta-feira
(Albert Einstein)
segunda-feira
Mercadoria Humana. Venda-se quem puder!
Acredito na capacidade humana de buscar a autorealização se adequando às demandas do mercado de trabalho e aos métodos e técnicas de produção. Para isso é preciso adequar também o gerenciamento de pessoas envolvidas no processo, no ambiente organizacional, na produção de conhecimento, a qualidade dos bens de consumo e, principalmente, dar atenção especial aos que colaboram direta e indiretamente nos resultados obtidos pela empresa.
Inicialmente a Sociedade Tradicional, aonde se gastavam longos períodos para se obter o produto final ou o próprio acúmulo de informações, foi esmagada pela Sociedade Industrial, tornando mecânico o desempenho do trabalhador que por repetições trazia o lucro com menor custo ao dono da empresa. Sociólogos e outros estudiosos chamaram para reflexão sobre os danos causados pela revolução industrial e aquilo que deveria ser melhorado nas Relações Humanas que haviam se tornado contradições sociais desmerecendo o trabalhador e reduzindo o potencial criativo das pessoas motivadas pelo mísero “ganha-pão”.
Aos poucos a classe trabalhadora foi se organizando e conquistando direitos, assumindo deveres e aumentando o desejo e sua capacidade de consumo. Ao adquirir bens o capital pôde circular gerando ainda mais capital. O homem passou a ser valorizado por aquilo que ele seria capaz de comprar. O próprio conhecimento passou a ser uma mercadoria atualmente. Detentores de informações passam a ganhar maiores salários enquanto especialistas em determinadas áreas. Competências técnicas associada às habilidades específicas definem a nova jóia do mercado. Novos desafios surgem na Gestão e no aperfeiçoamento pessoal. A boa administração está relacionada a saber como conseguir o máximo no desempenho individual e em equipe.
Amedronta-me o fato das inquietudes do ser humano estarem banalizadas quando uns e outros não correspondem ao funcionamento de uma Sociedade Capitalista ou Pós-Capitalista buscando o valorizar-se com o que se “tem” e não o que se “é”. As conseqüências são as mais diversas; como a violência, o descaso com os estudos, a falta de oportunidade de empregos descentes, e a grande concentração de renda nas mãos da minoria nos países como o Brasil. E a prosperidade ainda desigual continua causando sofrimento aos menos favorecidos. A humanização das relações tão difundida está sendo mascarada e aqueles que poderiam mudar isso, assim como eu e você, estão parados e preocupados em absorver os benefícios que podemos ter individualmente e corresponder às duras requisições de nossas vaidades.
Crica Fonseca
domingo
Por que são raras as Pérolas?
As pérolas são raras por estarem ocultas no interior das conchas, tornaram-se o símbolo do conhecimento velado e da sabedoria. Pura e preciosa, porque é retirada de uma água lodosa, de uma concha grosseira, surge tão bela e tão límpida. A pérola é fruto do sofrimento. A ostra deixa-se penetrar por um simples grão de areia, a dor, que passa a irritar o seu corpo. A ostra é também uma artista extremamente paciente capaz de esperar anos para concluir a sua obra de arte, buscando sempre a perfeição, mas quase nunca a atingindo. Nessa sua labuta incansável vem brindando a humanidade com verdadeiras obras de arte. A essência da causalidade não se detém jamais, e a pérola estará para sempre brilhando. Não há ação ou pensamento que exista separadamente, mesmo nossa perplexidade ou preocupação. Conseqüentemente, inferimos que mesmo o ir e vir na Caverna dos Demônios da Montanha Obscura, nada mais vem a ser que a própria pérola resplandecente...Ciclos, ciclones e espirais.
Perde o sentido
Encontra um sentido
Descobre o sentido
Percorre o sentido
Sente.
Encontra-se um sentido
Os lugares, as pessoas.
Os livros, os filmes, os dias.
As músicas, os sonhos, os planos.
Cuidado com a realidade.
Descobre-se o sentido
Passo a passo crendo entender
Os animais, a natureza, a humanidade,
As idéias, ideais, caráter, personalidade.
Amigos, falsos e verdadeiros, as mãos, as costas.
Percorre-se o sentido
O amor, o ódio, a desilusão.
O sofrimento, a dor, o prazer.
A paixão, a loucura, a razão, o roxo
O vermelho, o preto e branco, o amarelo.
Te sentes então...
E perde o sentido
Encontra um sentido
Descobre o sentido
Percorre o sentido
Até que um dia conclui que não sabes de nada.
E tudo volta para o primeiro verso.
autor: Tico Sta Cruz (Detonaltas)
Considerações de Lorenz Marti
Para uma vida plenamente realizada o passo deve ir além do Ego, a doação deve ser algo maior. Não preciso com isso perder a noção de mim mesmo. Mas preciso parar de olhar apenas para mim mesmo.[...] Pois enquanto eu me considerar como ponto central, deixarei de ver o verdadeiro centro. [...] O mundo não gira ao meu redor, existem dimensões que me ultrapassam.
Deveríamos sempre tentar nos lembrar que as nuvens não são o céu. As nuvens se formam e se desfazem depois. Suas formas e cores se modificam. Em sua impermanência e ausência de estabilidade elas são um reflexo da própria vida.
Quando não olho com bastante consciência, perco o espetáculo único deste céu crepuscular, que só se mostra aqui e agora. O futuro nada é além de uma efêmera fantasia. Só este momento agora é verdadeiro. Não posso liquidá-lo, mas posso me impedir de vê-lo total e plenamente.
Fico assustado com a suposição de que muita coisa na minha vida é apenas um mal necessário, com o qual lido com a mesma negliência com que lido com uma porta.
Wasted Years
Coisas que Eu Sei
Eu quero ficar perto de tudo o que acho certo até o dia em que eu mudar de opinião.
A minha experiência, meu pacto com a ciência, meu conhecimento é minha distração.
Eu adivinho sem ninguém ter me contado.
O meu rádio relógio mostra o tempo errado, _ aperte o play.
Eu gosto do meu quarto, do meu desarrumado. Ninguém sabe mexer na minha confusão.
É o meu ponto de vista,
O medo mora perto das idéias loucas.
Se eu for eu vou assim, não vou trocar de roupa.
É minha Lei, eu corto os meus dobrados, acerto os meus pecados,
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei.
Eu vejo o filme em pausas,
Eu imagino casas,
Depois eu já nem me lembro do que eu desenhei.
Não guardo mais agendas no meu celular, eu compro aparelhos que eu não sei usar.
Ás vezes dá preguiça, na areia movediça, quanto mais eu mecho mais afundo em mim.
Eu moro em um cenário do lado imaginário,
Eu entro e saio sempre quando eu tô afim.
As noites ficam claras no raiar do dia.
Coisas que eu sei são coisas que antes eu somente não sabia...
Agora eu sei!
Oração de São Francisco







