Botas Salto Agulha

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terça-feira

Sou tudo e nada...

Sou e Serei a Relação Estabelecida no Momento em que Esta se Estabelece.

Chega de eu sou isso ou sou aquilo, eu faço isso ou aquilo em função de tal coisa ou pessoa. Que chatice estas pessoas que estão sempre presas a rótulos e se explicam através deles! Eu sou aquilo que der para ser no momento em que algo acontecer. Sinto sinceramente, que sou aquilo que estou disponível para vivenciar. Posso ser uma ótima confidente e não estar querendo de ouvir ninguém. Posso não gostar de alguém e, se me der vontade, escuta-la verdadeiramente sem preconceito. Posso destruir sentimentos e reconstruir qualquer coisa sobre eles modificando o que sinto.
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Não sou a minha profissão. O que me exigiria um equilíbrio sobre-humano se for levar em consideração os valores agregados que adicionam aos profissionais da minha área. A cada desafio esforçando-me para ser melhor que “eu mesma”, e principalmente, sendo a cada encontro aquilo que eu consigo ser e fazer para incondicionalmente ajudar o outro. Com isso me tornei uma profissional respeitada. Embora eu não me esforce o tempo todo, nem me lembre do peso de ter que ser uma boa profissional e talvez alguma coisa já tenha dado errado, eu não sou apenas a profissional Fulana de Tal.
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Diga-me com quem andas e te direi quem sou”, nunca foi uma frase que me definiu como pessoa. Não consigo concordar com isso. Talvez sirva para aqueles que não sabem realmente o que sentem e são influenciados pelo medo de ser diferente daquilo que é imposto pelo grupo de convivência. Eu só faço o que quero, não tente me impor nada! E, mesmo assim posso estar com todo o tipo de pessoa em qualquer lugar deste mundo. A frase feita deixa parecer fácil culpar os outros e torná-los responsáveis por nossas ações.

Chega de interpretações errôneas sobre o que realmente se é! Sou mulher, logo sou frágil. Sou inteligente, logo tenho resposta para tudo. Sou gorda, logo sou feia. Sou rica, logo compro o que quero. Sou independente, logo não preciso de ninguém. Sou certinha, logo nunca vou errar. Sou louca, logo posso fazer coisas que ninguém imagina. Sou forte, logo não devo demonstrar minhas franquezas. Sou livre, logo nada vai me prender...
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Sou muito mais movida por emoções inconscientes que habitam no mais obscuro e profundo de mim mesma, mais comovida por amores e medos mal ou bem resolvidos... Como um mestre andarilho e solitário que tem muito para aprender e nada para ensinar. A força do meu eu interior não está na mão do outro com quem eu me relaciono e muito menos nos rótulos sociais que ao longo do tempo insistem em se fixar em mim.
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Será que alguém suportaria me conhecer desnuda? Na mais profunda incoerência dos meus sentimentos quando ainda estão borbulhando sem sentido dentro de mim? Na minha ambigüidade de querer e depois não querer mais? Como quando se vê um Monge irritado, um anjo-demônio, a carruagem que vira abóbora? Ou mesmo a beleza onde aparecia que não existia o belo. A voz suave aonde os gritos seriam esperados, o transcendente no lugar do silêncio, a alma ao invés de apenas um corpo. A compaixão no lugar da guerra. E, quando a batalha for inevitável, a Espada no lugar da arma de fogo.

Crica Fonseca

Um comentário:

(Carlos Soares) disse...

Olá,Crica.Primeira vez que venho aqui e com uma grata surpresa.Que texto bacana.Tenho coisas parecidas,penso,não vou dizer 100%,porque não somos iguais 100%,temos afinidades,digo sempre isso.Mas a essência de suas idéias combina com a minha, principalmente no primeiro tópico.Quando tiver um tempinho dê uma passada no meu blog e leia "RÉQUIEM PARA UMA SAUDADE", deve ser a antepenúltima postada.Será um prazer